«Mater dulcis
Carmeli dómina,
plebem tuam
reple laetítia
qua beáris.»
(Flos Carmeli)
Vocês se lembram daquela bela imagem em Ávila, de Nossa Senhora do Monte Carmelo, sob cujo manto se reúnem as religiosas e os religiosos carmelitas…
A devoção a Maria não provém do intelecto, mas brota do coração; e como cultivaríamos esse amor por Maria se a santíssima Madre Teresa não nos tivesse encorajado e estimulado a isso – celebrando suas festas, manifestando amor pelas imagens de Nossa Senhora, vestindo seu hábito, valorizando profundamente o Escapulário e nutrindo um amor muito especial pela oração do Rosário…
“Amar é compreender que a Mãe de Deus é aquela que todos os cristãos consideram como sua mãe.” Assim, Santa Teresa abordou o mistério da maternidade divina de Maria da maneira que mais lhe era cara, partindo da santíssima natureza humana de Jesus, que continuaremos a imitar.
Nosso Pai São João da Cruz contempla o Verbo eterno; ele evoca o consentimento da Virgem Maria, bem como a descida do Verbo no seio da Virgem Maria. Esse consentimento para que a pura Palavra de Deus entre neste mundo é um modelo para nossa relação com Deus. Maria, que, como ser limitado, abre sua existência ao Verbo onisciente, entregando-se inteiramente para que o Verbo possa realizar um milagre nela.
As palavras de São Elias me vieram à mente: “Até quando vocês vão mancar para os dois lados?” (1 Reis 18,21).
No entanto, tememos a mudança… e, ainda assim, a Palavra de Deus nos chama constantemente a mudar. A Palavra de Deus nunca é água estagnada; é água em movimento — como uma cachoeira ou o mar de um azul límpido, em cujas profundezas podemos mergulhar. “Salve, Estrela do Mar”, cantamos juntos.
Muitas razões fazem nossos corações vibrarem de alegria, sobretudo quando a Mãe nos presenteou com seu manto — o Escapulário — no qual vemos a esperança de chegar até seu Filho. Revistamo-nos de seu amor e de sua santidade, pois Jesus, também, se revestiu dela; recebeu dela toda a sua humanidade. Ele pertence inteiramente a Maria, e ela pertence inteiramente a Deus. Que troca admirável! Essa é a beleza da vida, e é por isso que, no Carmelo, a chamamos de *decor* — o Adorno do Carmelo, a Beleza do Carmelo…
Por meio de Maria, o Deus vivo habita na história de nossas vidas e em nosso presente — nesta mesma situação que vivemos hoje, em meio às ameaças de guerra vindas de todos os lados, à pobreza e a todos os tipos de doenças…
Nossas vidas mudarão, pois Deus nos fala pela boca do profeta Isaías: “Sê prudente, mantém a calma e não temas nada. Não deixes que teu coração se enfraqueça…» «Venham, peçam-me, e eu lhes mostrarei!» — a voz ressoa em nosso coração.
Deus cuida de nós; Maria nos encoraja. Como ela fazia isso? Ela tremia? Não. Nada nela — nem mesmo seu coração — tremia de medo diante do Deus vivo; pelo contrário, ela tremia de alegria diante daquele a quem adorava com profunda veneração. Ela não deixava que o mundo lhe impusesse o medo do futuro. Revestida da beleza de Saron, ela nos convida a vir, a nos voltarmos para ela e a deixarmos que ela nos conduza até Ele. Ela intercederá por nós. Ela nos cobrirá com o manto de seu amor. (Lembro-lhes a imagem da introdução a este texto.) Esse manto é um manto de amor maternal. Ela nos estende seu coração como mãos, como um manto, e nos acolhe em seus braços, convidando-nos a nos colocarmos sob sua proteção. Ela sempre fará o que for melhor para nós.
Nossa santa Mariam Bawardy acrescenta que, a seus pés, reencontraremos a vida. E quando chegar nossa noite da fé e colocarmos nossos lábios sobre o pó, saberemos quem depositou em nós a chama da fé. Chegará o dia, para cada um de nós, em que todas as agitações causadas por este mundo se acalmarão e em que — no mais profundo de nossa alma, onde o próprio Deus habita e onde a união com Deus se realiza pela semelhança e pela transformação por meio de Maria — encontraremos a paz. Ela é uma realidade espiritual, um socorro, uma Mãe que nos olha por meio de seu Filho.
Daqui a alguns dias, estaremos no auge da festa de Nossa Senhora do Monte Carmelo. Acredito que, neste momento especial, estamos unidos em oração uns pelos outros, pedindo a Maria que nos proteja na fé, na esperança e na caridade, para que, guiados pelo Espírito Santo, possamos, como ela, cumprir a vontade de Deus.
Desejamos a vocês uma santa festa de Nossa Senhora do Monte Carmelo, com esta oração: “Reveste-nos, meu Deus, com a tua Mãe!”
